REMEXENDO A POEIRA
Quatro meses. Dependendo do ponto de vista, muito tempo. Olhando para trás talvez seja mesmo. É incrível como as coisas acontecem e mudam a sua perspectiva de mundo de uma hora para outra. Pessoas, que antes eram tudo pra você, viram apenas estranhos. Outros, que pareciam que não tinham qualquer identificação com sua vida, se mostram como os que você mais deve confiar. Realmente, a vida é um pêndulo.Bom, nesses quatro meses que fiquei fora, muita coisa aconteceu. Para quem lê, talvez seja pouco, mas para quem viveu esses momentos, foi muito. Fiz aniversário (22 anos! Parabéns para mim!), saí em lugares estranhos, amigos meus vão viajar, conheci gente, conheci melhor outros, fui na Virada Cultural (meu Deus, que dia alternativo!!!), coisa que queria fazer há muito tempo e não pude, mas que outros tinham roubado a minha idéia e feito antes de mim, mesmo tendo me criticado horrores quando eu sugeri de irmos, encerrei um ano de estágio (nem eu achava que ia durar tanto tempo), continuarei no estágio por
mais um ano, fui ao teatro, ouvi o novo CD do Teatro Mágico (maravilhoso, com a mesma qualidade do anterior), fiz meu projeto de monografia, etc., etc, etc.
mais um ano, fui ao teatro, ouvi o novo CD do Teatro Mágico (maravilhoso, com a mesma qualidade do anterior), fiz meu projeto de monografia, etc., etc, etc.Porém, ainda não estou satisfeito. Falta muita coisa. E, se tudo der certo, vou fazer. Aqueles que pensam que minha vida era parasitária deles, estão muito enganados. Não é porque você esqueceu de mim que eu esqueci de mim mesmo. Desculpe, mas você não era tão importante.
Bom, agora vamos às críticas. Primeiro, o teatro. Faz tempo que não vou, sinceramente, tenho que começar a ir mais. Mas a última peça que vi (por sinal, no dia da Virada Cultural), foi "Senhora dos Afogados", de Nelson Rodrigues, na versão do Grupo Macunaíma, de Antunes Filho. O texto, sinceramente, não é um dos mais fortes de Nelson, apesar de todas as suas críticas à sociedade estarem lá (obsessão, traição, desejo, marginalizados da sociedade, etc.). Porém, ainda que assim seja, vale a pena pelo primor que é a montagem. Elenco afiadíssimo, direção impecável, marcações, iluminação, atuação, tudo. Antunes Filho sabe o que faz, e com maestria. Montar Nelson é muito difícil, principalmente pelo fato de que há uma linha muito
tênue entre o que se deve fazer e o que ficará gratuito, dado o peso de seu texto. Mas, em nenhum momento, essa barreira foi quebrada. Foi, sem sombra de dúvida, uma das peças mais bem dirigidas e montadas que assisti.
Quanto aos filmes, fica um pouco difícil assistir sem estar de férias, mas me esforcei. Assisti muita coisa boa, mas destaco apenas alguns. Em primeiro lugar, no âmbito internacional, vi "Queria Wendy" de Lars Von Trier, mesmo diretor de "Dogville". O filme se propõe a fazer uma crítica sobre as armas na sociedade norte-americana, e o poder que elas exercem. Conta a história de alguns garotos que fundam uma sociedade para exercerem sua paixão por suas armas. Porém, isso vira um problema quando um deles, ex-delinquente, ingressa no grupo, desestabilizando as relações e obrigando os outros a se envolverem em um evento com consequências criminosas por causa das armas. Lars é muito bom como diretor, e o filme é bem feito, principalmente pela crítica não explícita. Ah, e a música tema é muito interessante.
Vi também um filme que todos, mas absolutamente todos, deveriam ver. Chama-se "C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor", filme canadense, mas falado em francês. Trata-se da história de uma família cujas iniciais dos filhos formam a palavra CRAZY do título. Centrada em Zac, retrata três décadas da sua vida, as quais se passam principalmente nos anos 70 e 80. Foca-se, principalmente, na relação deste com sua família e, principalmente, seu pai, e como essa relação torna-se mais problemática por causa de sua sexualidade. O diretor, por sua vez, consegue tratar do tema de uma maneira fenomenal, com toda delicadeza e ambiguidade que ele merece, tornando o filme poético e falando tudo que deveria falar, embora não com palavras expressas. É curioso que esse filme foi lançado na mesma época de Brokeback Moutain, mas não teve a mesma repercussão na mídia como deveria. Vale assistir os dois, até para comparar. Enquanto Brokeback é mais adulto, retratando o amor como uma força incontrolável e mais focado nos caubóis, C.R.A.Z.Y. fala mais de descobertas, de crescimento, e opta por seguir um outro caminho com o tema, qual seja, a relação da sexualidade com a família. Além do que, o primeiro é muito mais explicito que o segundo. Mas isso não significa que um seja melhor que outro.
Bom, acho que por hoje é isso. Depois conto sobre minhas incursões no cinema nacional. Não foram poucas e agradeço ao Canal Brasil por isso.




Mudando de assunto, assisti alguns filmes. Poucos, é verdade, mas gostaria de falar dos mais legais. Em primeiro lugar, homenageando o cinema nacional, vi "O Diabo a Quatro". Aparentemente simples na história (garota se apaixona por surfista que só pensa em drogas e acaba virando prostituta para conquistá-lo), traz um retrato contundente da juventude classe média carioca, sua relação com o amor, os estudos, o futuro, e o entusiasmo de viver. E, claro, há o final revelador: quem comandava quem na relação estranha entre a prostituta, o garoto e o agenciador? Lógico que só se saberá quem assistir o filme. Não conto pormenores aqui. E parabéns pela ótima atuação de Maria Flor nesse que foi o seu filme de estréia. A atriz de Malhação mostrou que tem mais garra do que parecia.
